Quando a disciplina é eficiência
No fim do século XIX, surgiu na Europa a Escola Nova. No Brasil, a Escola Nova só foi implantada no fim dos anos 1920 e disseminada durante os anos 1930. O paradigma escolar era o da natureza e da experimentação científica. Buscava-se a natureza dos princípios da virtude. Nesse aspecto, assemelhava-se a teoria de Rousseau.
No campo da linguagem trabalhava com as associações entre:
- a escrita e o desenho, como arte;
- e a escrita e a caligrafia, como técnica.
Buscava-se, enfim, a racionalidade do método.
Até os anos de 1910, o imaginário educacional era o do entusiasmo pela educação. A partir dos anos 20, o entusiasmo se transforma em otimismo pedagógico. O objetivo era a reestruturação do sistema educacional. Almejava-se a educação de massa, a valorização da técnica atrelada a fazeres políticos e a educação integral: preparação para a vida.
Instruir significava nacionalizar, abrasileirar o brasileiro. Para tanto, usava-se a ortopedia como correção e a eficiência como molde. Para a instauração da pedagogia do molde criou-se os bandeirantes ou escoteiros, visando à formação do nacionalismo; o pelotão de saúde e os enfermeiros visitadores, para trabalharem com a higiene dos escolares e suas famílias; médico e dentista escolares, visando a prevenção e a cura de doenças. Eram as novas práticas para mostrar a nova simbologia e a nova tradição: desfiles, cantos corais, festas escolares...
Nessa época, havia um duplo sistema educacional: a província se responsabilizava pelos cursos primário, normal e profissional, dirigidos às classes populares (educação de massa) e o governo federal se responsabilizava pelos ensinos secundário e superior, voltados para a elite.
Sob a escola foi depositada a esperança da construção de um mundo melhor. Era o positivismo possibilitando o desenvolvimento das potencialidades; a idéia da corporificação (a ação corporificada em um sistema) similar a dos movimentos de massa ligados ao fascismo e à valorização da estética. Este moldar estava ligado à questão da eficiência. O ensino deveria ser racional: sucinto, objetivo e visual ou global.
Para a Escola Nova, naturalizar o ensino era aproximá-lo às Ciências Naturais e à sua época.
Eficiência e trabalho produtivo significavam velocidade, portanto, mudanças mais rápidas. A otimização estava ligada, principalmente, ao processo de trabalho na fábrica.
A proposta da Escola Nova era adaptar o taylorismo à educação.
Taylorismo = eficiência + produtividade + velocidade = racionalização.
Escola ativa: observar + experimentar.
A experiência é a junção da prática de uma situação, elaborada por alguém, que com sua prática constrói uma nova situação e possibilita a atuação de novos agentes.
É um trabalho sucessivo.
Ovídio Decroly
foi o autor de maior influência no ensino ativo. Sua teoria denominada de Método Global indicava que o estudo de um tema partisse da compreensão do seu todo para depois analisar suas partes. Por causa disso, o Método Global também era chamado de Método Analítico. A idéia do Centro de Interesses significa a elaboração e execução de projetos temáticos.
Sob essa orientação, os educadores escolanovistas, adeptos do ensino ativo, criaram as salas temáticas e as Semanas da Educação, períodos em que os(as) alunos(as) expunham seus trabalhos para seus familiares e para a comunidade em geral.
| Fim do séc. XIX | Anos 1920 e 1930 |
| Determinismo empírico, biológico e geoclimático | Determinante cultural |
| Teses raciais e evolucionistas | Teses culturais (educação) |
| Correção | Prevenção/ profilaxia |
| Problema = insalubridade | Problema = ignorância |
| Regeneração racial = substituição negro por branco (escravismo e imigrantismo) | Regeneração social = abrasileirar o brasileiro |
| Higiene = auxiliar da pedagogia no controle do corpo individual | Higiene = auxiliar da pedagogia no controle do corpo individual e social |

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