Mario de Andrade: reinventando o Brasil

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Linha do tempo Decroly e Lourenço

Ovide Decroly
1871--------------1932

Lourenço Filho
1897----------------------------------------1970


Ovide Decroly nasceu em 23 de julho de 1871, em Renaix, na Bélgica, filho de um industrial e de uma professora de música. Como estudante.

Aprendia com facilidade, mas, por causa de indisciplina, foi expulso de várias escolas. Recusava-se a freqüentar as aulas de catecismo. Por conta disso, defendeu um modelo de ensino não-autoritário e não-religioso.

Formou-se em medicina e estudou neurologia na Bélgica e na Alemanha. E, como Maria Montessori, se interessava pelas crianças deficientes mentais. Esse interesse o levou para a educação. Criou, então, uma disciplina, a "pedotecnia", dirigida ao estudo das atividades pedagógicas coordenadas ao conhecimento da evolução física e mental das crianças.

Casou-se e teve três filhos.

Em 1907, fundou a École de l’Ermitage, em Bruxelas, para crianças consideradas "normais". A escola, que se tornou célebre em toda a Europa, serviu de espaço de experimentação para o próprio Decroly. A partir de então, viajou pela Europa e pela América, fazendo contatos com diversos educadores, entre eles o norte-americano John Dewey (1859-1952).

Decroly escreveu mais de 400 livros, mas nunca sistematizou seu método por escrito, por julgá-lo em construção permanente.


Conceitos e suas associações
Centros de Interesse / Necessidades (alimentação, defesa, agir e trabalhar com solidariedade, ter alegria de espírito) / Associação de Idéias / Observação – Associação – Expressão, linguagem (palavra, corpo, desenho, construção, arte) / Trabalho em grupo / Método ativo / Método Global de Alfabetização


A obra Centros de Interesse de Abner Moura
Onde Moura explicita as três etapas fundamentais para o desenvolvimento dos Centros de Interesse

OBSERVAÇÃO = representa as Lições de Coisas (Método Intuitivo): as aprendizagens elementares das Ciências Naturais (Geometria, Calculo, Higiene, Moral) = comparação, medição, pesagem, contagem.

ASSOCIAÇÃO = Lições de Geografia e Historia + Higiene e Moral, Associações Tecnológicas, causa e efeito (o porquê e o como dos fenômenos)

EXPRESSÃO = transmissão do pensamento de forma compreensível aos demais; narração oral e escrita, desenho.
A expressão compreende todos os exercícios de linguagem: ortografia, memorização, trabalhos manuais, desenho, canções, exercícios ginásticos.
Para a alfabetização se adota o processo visual-ideo-grafico = Método Global.
São exercícios de escrita: narrar, compor, descrever, reproduzir, inventar pequenas historias.


Faleceu em setembro de 1932, em Uccle, na região de Bruxelas, aos 61 anos.



Influências de Decroly

Foi o autor de maior influência no ensino ativo. Sua teoria denominada de Método Global indicava que o estudo de um tema partisse da compreensão do seu todo para depois analisar suas partes. Por causa disso, o Método Global também era chamado de Método Analítico. A idéia do Centro de Interesses significa a elaboração e execução de projetos temáticos.

Sob essa orientação, os educadores escolanovistas, adeptos do ensino ativo, criaram as salas temáticas e as Semanas da Educação, períodos em que os(as) alunos(as) expunham seus trabalhos para seus familiares e para a comunidade em geral.

O ensino ativo defendia o respeito ao ritmo natural dos(as) alunos(as), tanto na elaboração de tarefas como na assimilação do conhecimento e a heterogeneidade da classe deveria ser controlada pela disciplina evitando ações desregradas por parte das crianças.




Manoel Bergström Lourenço Filho nasceu em Porto Ferreira/SP, em 1897.

Idealizador do movimento da Escola Nova, ao lado do baiano Anísio Teixeira e do mineiro Fernando de Azevedo, em 1932, teve intensa atividade teórica e administrativa, sempre ligado à democratização e à profissionalização do ensino.

Para ele a educação era um instrumento de "renovação social" e seu problema estava na organização da sociedade: faltava emancipação técnica e uma reorganização que obedecesse a princípios racionais e científicos.

Defendeu a necessidade da elevação dos níveis de instrução de toda a população como condição para o desenvolvimento.

Essas preocupações orientaram suas iniciativas nos numerosos cargos públicos que ocupou.

Dono de uma intelectualidade invejável, sua contribuição para a educação brasileira merece maior reconhecimento por sua extrema preocupação com a escola em seu aspecto social, administrativo (por que não dizer político?) e nas prescrições de atividades para serem realizadas em sala de aula.

A sua contribuição no campo da educação abrange temas como:
- educação primária, ensino secundário, ensino técnico rural
- alfabetização infantil e de adultos
- didática, metodologia de ensino
- administração escolar, avaliação educacional, orientação educacional
- formação de professores, educação física
- literatura infanto-juvenil
- artigos de revistas e jornais, cartilhas, conferências, apresentações e prefácios de muitas obras.
Há publicações de seus livros em inglês, francês e espanhol.


Lourenço Filho se dedicou a investigar a boa escrita, durante os anos de 1933 a 1936.
Para ele a escrita era resultado da leitura.
Primeiro era preciso trabalhar a leitura, depois levar o aluno a pensar e, mais tarde, escrever e construir idéias e conceitos.
Operava com a hipótese de existência de um nível de maturidade como requisito para a aprendizagem da leitura e da escrita.


Segundo Lourenço Filho era necessário constituir uma didática racional da escrita que priorizasse o respeito ao ato de escrever como expressão do pensamento, oferecendo ao aluno uma técnica de aprimoramento do traçado da letra: legibilidade, clareza, velocidade e elegância.

Cada aluno tem o tempo certo para absorver informações. Para que o professor descubra se este aluno está realmente maduro para os exercícios escolares seria necessário exercícios preparatórios.
Assim pensando, Lourenço Filho desenvolveu os Testes ABC.

A aplicação individual dos testes permitiria que os professores observassem os aspectos do comportamento emocional das crianças, alertando para os casos que desde cedo necessitassem de cuidados especiais.

Em suma, a aplicação dos testes ABC resultaria em três diagnósticos:
1. condições de maturidade para aprender / maturidade da criança para a aprendizagem.

2. Prognóstico do comportamento das crianças nas situações sucessivas do ensino, isto é, selecionar alunos com o “mesmo” nível de maturidade para fins especiais de aprendizagem inicial da leitura e da escrita.

3. A necessidade de maior estudo para alunos com problemas de comportamento, denominado como “criança problema”, pois para o educador, com a aplicação dos Testes, o professor poderia observar aspectos de comportamento emocional da criança.

Os testes ABC não se referiam às funções abstratas, como atenção, imaginação, raciocínio ...
referia-se às técnicas avaliativas de habilidades, prevendo possibilidades de aprendizagem.

A avaliação dos testes resultava em quatro graus:
superior, médio, inferior e nulo, a que correspondem os números 3, 2, 1 e 0, sendo que para cada grau havia uma pontuação.

Eram quatro testes com representações gráficas e quatro testes de reação verbal, quando o examinador deveria pronunciar de forma clara e pausada, repetindo quando fosse necessário.

Cada prova procurava atender a alguma habilidade cognitiva:
Coordenação visual - motora;
Resistência á inversão na cópia de figuras;
Memorização visual;
Coordenação auditiva - motora;
Capacidade de prolação;
Memorização auditiva;
Índice de fatigabilidade;
Índice de atenção dirigida;
Vocabulário e compreensão geral;
Resistência á ecolalia*.

* substantivo feminino 1 hábito ou mania de fazer rimar palavras, falando ou escrevendo 2 Rubrica: psicopatologia. forma de afasia em que o paciente repete mecanicamente palavras ou frases que ouve. Dicionario Houaiss.

Lourenço Filho faleceu no Rio de Janeiro em 1970 aos 73 anos.


Bibliografia
MOURA, Abner de. Os centros de interesse na escola. São Paulo: melhoramentos, 1931.
CORDEIRO, Jaime Francisco Parreira. Didática: contexto educação. São Paulo: Editora Contexto, 2007.
ESTEVES, Isabel de Lourdes. As prescrições para o ensino da caligrafia e da escrita na escola pública primária paulista (1909-1947). São Paulo: Dissertação (mestrado): USP. Faculdade de Educação, 2002.
FARIA, Geraldo Pinheiro. “Metodologia. O Sistema Decroly”. Revista de educação. V. XXX, jul-dez/1943, p.100-104.
Lourenço Filho, Manuel Bergström. Uma introdução a Escola Nova. São Paulo: Melhoramentos, sem data. Ler Lição 1 - “Que se deve entender por escola nova?”,p. 11-79.
SERRA, Adauto de Oliveira. “Método Ideo-visual para o ensino da leitura, segundo Decroly”. Revista de educação. V. XXX, jul-dez/1943, p.105-111.
TOLEDO, Adalivia de. “Escola Nova – o seu objetivo”. Revista de educação. V. IV. dez/1933, p.74-83.
VEIGA, Cynthia Greive Veiga. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007.
VENANCIO FILHO, Alberto. “Lourenço Filho: um educador brasileiro”. Estudos e documentos. São Paulo: FEUSP, v. 41, 1999, p. 9-37.

Site
http://revistaescola.abril.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil

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