Método = ordem que se segue na investigação da verdade, no estudo de uma ciência ou para alcançar um fim determinado. XVI. Do latim: tardio methodus e, este, do grego méthodos, de meta + hodós ‘via’, ‘caminho’, já no sentido de ‘investigação científica’. Metódico, 1813. Do latim methodicus, derivado do grego methodikós. Metodista, 1844. Metodologia, 1858. Do francês méthodologie, derivado do latim científico methodologia ‘método lógico’. Metodismo, 1873. Do inglês methodism.
Mútuo = substantivo mutuação ‘empréstimo (de dinheiro)’ troca, permuta, reciprocidade, XVI. Do latim mutuatio - ónis. Mútuo, adjetivo ‘recíproco’, 1813. Do latim mutuus. Mutual idade, 1873. Mutuar, XVII. Do latim mutuare.
Simultâneo = que ocorre ou é feito ao mesmo tempo que outra coisa, XVII. Do latim simultaneus, derivado do latim simulta-atis ‘competência, rivalidade’, com influência do latim simul ‘ao mesmo tempo, juntamente’. Simultaneidade, 1844. Adaptado do francês simultanéité.
Intuitivo = 1713 – adjetivo: relativo a intuição; Filosofia: que efetiva um conhecimento de maneira direta e imediata, sem recorrer a inferências ou categorizações conceituais. 1845 -'pessoa que tem a intuição como traço predominante'; do latim intuìtus,us : 'vista de olhos, o olhar; consideração, respeito'.
2. O modelo escolar moderno
Nas palavras de Mario Manacorda [historiador italiano] o objetivo da educação moderna é educar humanamente todos os homens:
“ ... de várias maneiras, com diferentes iniciativas e não sem graves recaídas no paternalismo e no assistencialismo, os iluministas, os novos utopistas, os reformadores e os revolucionários deste século tentam concretizar este ideal.” (Manacorda, 1992, p. 236)
Com o advento das Revoluções Francesa e Industrial, objetivava-se que a educação fosse “gratuita, literária, intelectual, física, moral e industrial.” (Ibidem, p. 252) Assim sendo, a matemática e a ciência adquiriram a mesma importância atribuída, até então, às línguas clássicas.
Método Simultâneo
Publicado em 1720, o método de Jean Baptiste de La Salle introduz a instrução simultânea. Seu ensino era intermediário entre o ensino de elite e o ensino asilar. Os pais deviam levar e buscar as crianças na escola. Geralmente, cada família escolhia apenas um filho para seguir o ensino da escrita.
Este método trouxe novidades: substituiu as reprimendas pelos castigos; as ordens pelos sinais e o método individual pelo simultâneo.
A ordem fundamental era manter o silêncio. Daí a relação professor - aluno se dar através de sinais. O professor não falava com os alunos.
As condutas das Escolas Cristãs de La Salle eram divididas em duas partes:
1. “Os exercícios que se devem fazer nas escolas cristãs e a maneira como se devem fazer.”
2. “Os meios para estabelecer e manter a ordem.”
Sumário:
a. Entrada na escola e o início das aulas (disciplina e horários)
b. desjejum e almoço, onde se fala pouco de comer e muito de oração (instrução religiosa)
c. lições (=ensino da leitura), divididas em nove espécies: 1. a tábua (mural) do alfabeto, 2. a tábua das sílabas, 3. o silabário, 4. o segundo livro (para aprender a soletrar e a silabar), 5. ainda no segundo livro, os que sabem silabar corretamente, começam a ler, 6. o terceiro livro (para aprender a ler com pausas), 7. o Saltério, 8. a Civilização Cristã) e 9. as letras escritas a mão
d. escrita (comercial)
e. aritmética.
O ‘Saltério’ foi o primeiro livro em latim, onde a criança se deparava com os primeiros preceitos religiosos.
Este método proporcionava um grande desenvolvimento do trabalho escrito. As prescrições para o ensino da escrita abarcavam minuciosas instruções acerca dos materiais e técnicas para utilizá-los, assim como, orientações quanto à postura corporal. Os textos para o exercício da escrita eram contratos, quitações, obrigações, procurações etc.
Não confundir com o Ensino simultâneo que significava aprender a ler e escrever simultaneamente. Esta compreensão de simultâneo só apareceu no fim do século XIX.
Segundo David Hamilton [historiador inglês], entre os anos de 1820 a 1830, o termo simultâneo tinha um duplo significado: ensino simultâneo de leitura e escrita e a repetição das lições em uníssono. No final da década de 1830, referia-se a “um método em que os professores encontravam-se no comando da atenção simultânea de todos os alunos.” (Souza, 1998, p.23)
Nessa época, a escola ainda se constituía em uma grande sala de aula, um grupo de alunos e um professor. O ensino simultâneo guarda forte correspondência com a missa católica.
Método Mútuo
O método de Andrew Bell e Joseph Lancaster ou monitorial/mútuo era dirigido às crianças pobres. Surgiu na Inglaterra, nos anos da Revolução Francesa e início do processo de industrialização, com o objetivo de minimizar as despesas com o ensino de muitas crianças. Além disso, havia poucos professores disponíveis.
O que é o ensino Lancaster?
É um sistema de decurária ou monitorial. Os alunos se encontravam distribuídos em grupos de 10 que sentavam em torno de uma mesa no sentido do mais fraco para o mais forte. Assim sendo o 10ª aluno era o decurião, que estaria sob a orientação do monitor. Os monitores, em geral, alunos amadurecidos e inteligentes, ficavam à frente dos alunos na função de professor. Passa a ser o intermediário entre os alunos e o mestre (professor principal). O monitor não era um ajudante de professor; era o professor. O monitor dominava lições decoradas e fazia com que seus alunos as decorem também.
Teoricamente, havia um professor para 1000 alunos, sendo que 100 deles são monitores. (Não há registros de salas compostas com este número de alunos.) Era um método barato que atendia a muitos alunos e ensinava em pouco tempo. Não havia especialização do professor.
Cada aluno tinha sua própria tábua e anotava a lição que repetia em voz baixa. Além de dar a lição, o monitor também avaliava, assim como, premiava ou castigava. Dessa forma, havia uma “inversão” das relações de autoridade.
Pontos positivos:
a. um grande número de crianças no mesmo prédio escolar;
b. diminuição de despesas com o ensino das crianças.
Pontos negativos:
a. o monitor era uma criança;
b. a disciplina (comportamento) era mantida através de delações e com extrema rigidez resultando em um competição agressiva.
Neste momento, a instituição escolar se perguntava, pela primeira vez, o que precisava fazer e o que podia oferecer para formar o aluno para o trabalho. Por isso, era um método laico. Preocupava-se em desenvolver a ambição e a competição. Neste método, não havia um tempo específico para a conclusão do curso, pois este estimulava o esforço pessoal (mérito).
Este método foi difundido durante 30 anos para os países de língua inglesa, inclusive colônias africanas e obteve expressão mundial. Então, por que pára de ser usado?
1. O Mestre não é o único juiz, pois os monitores também avaliavam, castigavam e premiavam;
2. Ser docente era diferente de ser um especialista;
3. No século XIX, ocorreu a difusão de escolas normais que se baseavam, essencialmente, na idéia de especialização.
4. A inversão das relações de autoridade:
a. qualquer criança podia ensinar (reversão do princípio de autoridade baseado na autoridade)
b. este tipo de organização levava à empatia ou à delação.
3. No Brasil
O método lancasteriano foi proposto na primeira lei sobre Instrução Pública Nacional do Império do Brasil em 15 de outubro de 1827. A primeira Escola Normal do Brasil foi criada em 1835 com o objetivo de preparar professores “no domínio teórico-prático do método monitorial/mútuo.” (Bastos, 1998, p.96)
Segundo Mariano Narodowiski [historiador argentino], o ensino monitorial foi divulgado por mais de uma década. O Brasil foi um dos países latinoamericanos onde o método sobreviveu por mais tempo.
Nas primeiras décadas do século XIX já havia discussões acerca do melhor método a ser utilizado para o ensino das várias disciplinas. Era uma discussão que acontecia paralela à preocupação com a organização da escola.
4. Os objetos invadem a escola
Primeiras Lições de Coisas de Norman Allison Calkins foi publicado originalmente nos Estados Unidos, em 1861 e traduzido por Rui Barbosa, em 1886 para o português.
As lições de coisas, denominação através da qual o método de ensino intuitivo foi vulgarizado é, na realidade, uma compreensão cientifica do termo intuição. O termo foi popularizado por Mme. Pape-Carpentier em conferências proferidas aos professores presentes na Exposição Universal de Paris, em 1867.
Trabalha com perguntas e respostas para decorar. Era a pedagogia do olhar versus a pedagogia do ouvir. Para Calkins, observar e descrever são atividades distintas.
Este método se embasa na Psicologia Experimental.
Método Intuitivo
Ativo
Atividade centrada no aluno
Aluno = observador
↓
manipulação de objetos
Escola Nova
Ativo
Atividade centrada no aluno
Aluno = experimentador
↓
verificação
Toda essa estrutura permitia que a Pedagogia se constituisse como um campo de conhecimento: campo pedagógico. Nos anos 1890, existiam os Museus Pedagógicos pertencentes ao campo das Ciências Naturais.
Ativo
Atividade centrada no aluno
Aluno = experimentador
↓
verificação
Toda essa estrutura permitia que a Pedagogia se constituisse como um campo de conhecimento: campo pedagógico. Nos anos 1890, existiam os Museus Pedagógicos pertencentes ao campo das Ciências Naturais.
Bibliografia
BASTOS, Maria Helena Camara. “A formação de professores para o ensino mútuo no Brasil: O ‘Curso Normal para professores de primeiras letras do Barão de Gérando (1839)’ ”. In: História da Educação/ASPHE. Rio Grande do Sul: FaE/UFPel (3), abril, 1998, p. 95-119.
MANACORDA, M. A. “A educação no setecentos” In: História da Educação. São Paulo: Cortez, 1992, p. 227-268.
NARODOWSKI, M. “Do mestre ao monitor” In: Infancia e poder. Bragança Paulista: Editora da Universidade São Francisco, 2001, p. 127-131.
SCHELBAUER, Analete Regina. O método intuitivo e lições de coisas no Brasil do século XIX. In: STEPHANOU, Maria e BASTOS, Maria Helena Camara. Histórias e memórias da educação no Brasil. Vol. II – Século XIX. Petrópolis: Vozes, 2ª. Ed., 2006, p. 132-149.
SOUZA, Rosa Fátima de. “Espaço da educação e da civilização: origens dos grupos escolares no Brasil”. In: _____ et al. O legado educacional do século XIX. Araraquara: UNESP, 1998, p. 19-62.
VALDEMARIN, Vera Teresa. Método intuitivo: os sentidos como janelas e portas que se abrem para o mundo interpretado. In: SOUZA, R. F.; VALDEMARIN, V. T.; ALMEIDA, J. S. O legado educacional do século XIX. Araraquara: Ed. da UNESP, 1998, p. 63-105.
VIDAL, Diana Gonçalves. “Escola nova e processo educativo”. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira et alli (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
VILLELA, Heloisa de Oliveira Santos. “O ‘saber’ e o ‘saber-fazer’ do futuro professor: o currículo e o método”. In: _____ A primeira escola normal do Brasil: uma contribuição à história da formação de professores. Niterói: dissertação de Mestrado, UFF, 1990, p. 154-176.
Observação: os verbetes foram compostos a partir de pesquisas realizadas nos Dicionários Aurélio e Houaiss, disponibilizados on line, via site do UOL.

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