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quinta-feira, 12 de março de 2009

Roteiro de aula / texto – 13/03/09

FARIA FILHO, Luciano Mendes de e VIDAL, Diana Gonçalves. “Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil”. Revista Brasileira de Educação. N. 14, maio/ago, 2000.

Ver imagens no site do CRE Mario Covas


p. 19
- Poema de Cora Coralina (exemplo de registro)

Para Escolano
O espaço e o tempo “operam como uma espécie de discurso que institui em sua materialidade um sistema de valores, um conjunto de aprendizagens sensoriais e motoras e uma semiologia que recobre símbolos estéticos, culturais e ideológicos.”



p. 20
Espaço e tempo como pedagogia
- permitindo a interiorização de comportamentos e de representações sociais.
- atuando como elementos destacados na construção social e histórica da realidade.


Termos constituídos historicamente
Tempo escolar e espaço foram produzidos ao longo da história da educação e se constituiram em dois grandes desafios enfrentados para se construir um sistema de ensino primário ou elementar.
Espaço e tempo fazem parte da ordem social e escolar. São sempre pessoais e institucionais, individuais e coletivos. Busca-se delimitá-los, controlá-los e materializá-los através de objetos escolares.


Relação entre escolarização de conhecimentos e espaço e tempo escolares
- conteúdos escolares = programas e currículos
Se relaciona com:
- distribuição e utilização dos tempos escolares
- constituição dos métodos pedagógicos
- organização das turmas, classes e espaços escolares.

Ver Painéis temáticos – painel 2


p. 21-24
Escolas de improviso (séc XVIII e XIX)
Desde o século XVIII, era reclamada a construção de espaços adequados para o ensino e a definição de tempos de aprendizagem.
Nesta época, as escolas funcionavam em espaços improvisados: igreja, sacristia, salas de entradas de lojas maçônicas, dependências das Câmeras Municipais, prédios comerciais ou casas dos mestres.
- Professores recebiam ajuda para pagar o aluguel.
- Meninos e meninas passavam algumas horas nesta escola.
- Período de duas sessões: das 10 às 12 horas e outra das 14 até 16 horas


Rede de escolarização domestica – ensino e aprendizagem da leitura, da escrita e do calculo. Estas escolas também eram chamadas de particulares.
Funcionamento- espaços cedidos e organizados pelos pais das crianças e jovens aos quais os professores deveriam ensinar.
Professor (também chamado de preceptor) era responsabilidade do chefe da família (fazendeiro)


Modelo escolar no decorrer do séc XIX
- Caracteriza-se pela iniciativa dos pais, que em conjunto, criaram uma escola e contrataram coletivamente professores de ambos os sexos.
- Esta escola e seu professor não mantinham vínculo com o Estado.
- Em todas as escolas era proibida a freqüência de crianças negras até, pelo menos, o final da metade deste século.


Método individual X Método Mútuo e Ensino Intuitivo
- O ensino individualizado, mesmo constituído para atender vários alunos, impedia que a instrução pudesse ser generalizada para um grande número de indivíduos. Isso tornava a escola dispendiosa e pouco eficiente.
- Políticos e intelectuais clamavam por uma escola mais rápida, barata e com um professor preparado.
- Para abrigar dezenas de alunos, era necessária a construção de novos espaços escolares.
- Espaço escolar era considerado uma condição imprescindível para o bom êxito da empresa escolar que se defendia na época.
- O ensino mutuo [ou monitorial ou lancasteriano] levava em consideração não só a quantidade de alunos, mas também a mobilidade dos monitores por entre as turmas, a mobilidade das turmas dentro da classe, a necessidade em pendurar cartazes e outras peças na parede [p. 22], repartição e organização seqüencial dos conteúdos escolares, super importante na relação entre alunos-monitores e aprendizes (p. 23).


Ver Imagem disponibilizada no blog sobre Ensino Mutuo


Questões que determinaram mudanças
Em 1834, a responsabilidade pela educação elementar passou a ser das províncias (São Paulo, por exemplo)
Diversidade na conjuntura econômica e políticas das regiões
Custos altos para a manutenção do método mutuo: quadros murais, sólidos para Geometria, bancos e mesas para todos os alunos, ponteiros e estrados para os monitores, campainhas e matracas para os sinais sonoros, caixas de areia para a escrita, ardósias e quadros-negros, cartões de perdões ou penas (castigos)


As mudanças
No Brasil, ao longo do séc XIX, a educação escolar foi assumindo, de maneira progressiva, as características “de uma luta do governo do estado contra o governo de casa.”
- Defensores do método intuitivo, no início do séc XIX, argumentavam a necessidade de o espaço da sala de aula permitir que as diversas classes pudessem realizar as Lições de Coisas (ou ensino intuitivo).
- No final do séc XIX, a escola estava invadida por todo arsenal inovador de materiais-pedagógicos.
- A falta de espaço e materiais higienicamente concebidos prejudicava a saúde das crianças e a aprendizagem dos alunos; e a falta de espaços próprios para as escolas era vista como um problema administrativo por falta de fiscalização.
- Então, as discussões pedagógicas, sobretudo aquelas que tratavam das propostas metodológicas, demonstravam a necessidade de se construir espaços próprios para a escola como condição para a realização de sua condição de realizadora de função social especifica.


Ver Painéis temáticos – painel 18 e 19 + objetos – suportes materiais de ensino e objetos pessoais


Anos de 1870, em São Paulo – primeiras escolas no Arouche, Luz e Santo Amaro.

Ver escolas antigas


p. 24-27
Escolas-monumento
Com o advento da República foram muitas as novidades
Apreço à educação racional e científica, valorizando uma simbologia estética, cultural e ideológica.
Escola era uma instituição que se adaptava à vida das pessoas e vice-versa.

Ver Painéis temáticos – painel 4 e 5

Como os grupos escolares eram construídos
Grupos escolares eram concebidos e construídos como verdadeiros templos do saber.
- A partir de plantas tipo em função do número de alunos (4, 8 ou até 10 classes)
- Em um ou dois pavimentos
- Com nichos previstos para biblioteca escolar, museu escolar, sala de professores e administração
- Edificados simetricamente em torno de um pátio central
- Espaços distintos para meninos e meninas
- Entradas laterais diferentes para os sexos
- Salas das séries iniciais tinham dimensões maiores que as das séries finais do curso primário
- Materiais do ensino intuitivo
– Carteiras fixas no chão e a posição central da professora
- Pátio central - local de distribuição das crianças
- Usos apropriados do espaço: atividades como ginástica ou canto


Conseqüência imediata
- Aluno escolarizado X crianças sem escola, diferença percebida na economia gestual e motora dos escolarizados
- Ensino simultâneo: divisão das classes segundo um mesmo nível de conhecimento e idade dos alunos; uma professora, às vezes acompanhada de uma assistente, que operava com tarefas coletivas “cada um e todos teriam que executar uma mesma atividade a um só tempo.”


Alteração na dimensão do tempo escolar
Novos tempos escolares também se impunham.
Era preciso novas referências de tempo e novos ritmos fossem construídos e legitimados.
- conteúdos escolares distribuídos ao longo do dia escolar (a aula durava, mais ou menos, 4 horas) e com rígida grade de horários
- cada período tinha a duração de 10 ou até 25 minutos: pausa de 10 minutos a cada três aulas e no meio do dia – recreio com duração de 30 minutos.
-detalhamento dos quadros de horários propostos pelos Programas de Instrução, prevendo uma distribuição diária.
- com o controle de tempo e dos horários escolares instituídos, relógios, campainhas e sinetas passam a fazer parte do material básico.


Problemas com o tempo
- horário das aulas / desejo que fossem mais flexiveis
- horário de aula rivalizava com o horário do almoço



p. 27-32
Escolas funcionais
- Os grupos escolares tiveram uma história diferenciada nos diversos estados brasileiros.
- Em 1926 foi realizado por Fernando de Azevedo, no jornal do estado de São Paulo, um inquérito sobre a arquitetura escolar e propôs um padrão de arquitetura escolar: o neocolonial. O ambiente deveria ser educativo, alegre, aprazível, pitoresco e com paisagens envolventes.


O movimento da Escola Nova se fortalecia e passava a reger as escolhas dos educadores brasileiros mais engajados.


Princípios que regiam as edificações
- Pautavam-se nas seguintes necessidades:
1. pedagógicas - iluminação, ventilação adequada, salas de jogos, pátios de recreação, instalações sanitárias
2. estéticas - promoção do gosto pelo belo e artístico
3. nacionalizantes - constituição do sentido de brasilidade e e pelo culto as tradições


Em 1920, a entrada única para alunos e ambos os sexos consolidava os princípios de co-educação defendidos pelos escolanovistas.
As bibliotecas e museus eram valorizados e passavam a ser, não só lugares de freqüência, mas também espaços de experimentação.


Um novo uso de espaços com a abolição das carteiras fixas, distribuição de alunos e alunas em grupos e alteração na disposição dos móveis.

Ver objetos – mobiliário escolar

Uma nova relação entre professor e aluno em função da reorganização do espaço e da reordenação do tempo.
Substituição da divisão consecutiva de tempo escolar em atividades pelo tempo psicológico do interesse.

Ver Painéis temáticos – painel 3


O inquérito de Almeida Jr em 1936 recoloca algumas questões
Várias críticas em função dos altos custos da construção escolar.
O plano de edificação escolar de Azevedo mostra-se insatisfatório num momento em que se pregava a ampliação da população brasileira no interior do ensino público primário.
Consumiram boa parte das minguadas verbas da instrução pública os caros e suntuosos edifícios escolares construídos nas primeiras décadas da República.
Os prédios monumentais passaram nesse momento a significar a elitização da educação e o desprezo para com a educação dos mais pobres.


Anos de 1930- No Rio e em São Paulo- uma nova política de edificações escolares se desenhava. Anísio Teixeira (RJ) e Almeida Júnior (SP) apresentaram propostas mais econômicas para a construção de prédios escolares.
O diálogo com os preceitos escolanovistas era revitalizado em novos moldes.
Os novos edifícios escolares deveriam se simples e mais baratos recusando o estilo colonial. Era a escola funcional, racional, com uso de materiais da região e atendendo às condições de clima, usos e costumes.


Projeto de Almeida Jr
- edifícios com 4 a 25 classes
- cerca de 40 alunos por sala
- em dois ou três pavimentos


Escolas nucleares / de pelotão + escolas-parque = associação de horários alternados se constituía em mais uma inovação na apropriação do espaço e do tempo escolares.


Em 1947, era implantado por Anísio, na Bahia, o projeto de ensino em tempo integral a partir da articulação entre escolas-classe.
Em 1950 é inaugurado o Centro Educacional Primário Carneiro Ribeiro: primeiro e único conjunto a associar escolas-classe e parques na Bahia.


Escolas rurais – deveriam ser simples, sem padrão definido, reguladas pelos seguintes requisitos:
- salas de aula
- pátio coberto
- banheiros
- casa para o professor (com sala, cozinha e dois quartos)



p. 32
Se por um lado, a existência de um espaço escolar já está totalmente homogeneizada na sociedade ocidental, assim como a obrigatoriedade da criança freqüentar a escola; os significados do espaço e do tempo escolares ainda são objeto de luta.

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